Empresas tiveram de antecipar as liquidações e acabaram reduzindo suas margens
Por Estadão Conteúdo:
Normalmente, o clima tem influência direta nos ganhos dos grupos de moda Foto: Pexels
Normalmente, o clima tem influência direta nos ganhos dos grupos de moda. A chegada ou não do frio determina se as novas coleções serão vendidas a preço cheio ou com descontos ao longo da estação. As coleções de inverno costumam chegar às lojas ainda em março e ficam nas vitrines até julho. Em invernos mais frios, as liquidações normalmente ocorrem em agosto. Do contrário, elas são antecipadas.
Na
Lojas Renner, essa lógica foi seguida à risca no trimestre passado: as vendas
tiveram queda de 6,8% e a receita encolheu 6% em relação a igual período de
2022 (consideram as mesmas lojas). Para não fechar o trimestre com estoques
altos, a rede fez promoções para liquidar as peças que encalharam e, assim, viu
seu lucro por peça cair 2,2 pontos porcentuais. Esses números indicam também um
outro problema: a sua coleção estava cara demais.
Daniel Martins dos Santos, diretor financeiro da
Renner, disse ao <i>Estadão/Broadcast</i>, sistema de notícias em
tempo real do Grupo Estado, que a empresa está buscando negociações melhores
com fornecedores para reverter esse quadro. A varejista espera se beneficiar
ainda de quedas nos preços de algumas commodities e do dólar para oferecer
peças mais baratas e competitivas nesta segunda metade do ano.
De acordo com o executivo, neste terceiro
trimestre a Renner terá cerca de 40% das peças no modelo "open to
buy", que permite à companhia produzir as coleções durante a estação, de
forma rápida. No início do ano, essa porcentagem era de 20%.
Perda menor
A Guararapes, dona da rede de lojas Riachuelo,
também amargou perdas e teve prejuízo líquido de R$ 17,6 milhões no segundo
trimestre, revertendo lucro líquido de R$ 26,4 milhões do mesmo período de
2022. Sua receita líquida somou R$ 2,139 bilhões entre abril e junho, recuo de
0,7% na comparação anual.
Para analistas do Itaú BBA os números da dona da
Riachuelo ficaram dentro do esperado. Mas destacaram alguns aspectos positivos.
"Os níveis de estoque parecem saudáveis na comparação trimestral e as
vendas no varejo de junho têm mostrado, tanto na comparação anual quanto na
trimestral, crescimento. Se essa tendência for mantida, as perspectivas para o
braço de varejo no segundo semestre devem melhorar."
Em
reestruturação
Outra tradicional varejista de moda, a Marisa
Lojas teve prejuízo líquido de R$ 63,4 milhões no segundo trimestre, perda 82%
pior do que os R$ 34,8 milhões negativos de um ano antes. A receita líquida
entre abril e junho alcançou R$ 469,9 milhões, queda de 21,6% impactada também
pelo fechamento de 88 lojas no primeiro semestre de 2023 - outras dez lojas
haviam sido fechadas em dezembro.
Além disso, o desempenho das vendas de inverno em
2022 foram muito melhores em razão das temperaturas mais baixas que neste ano.
As vendas em mesmas lojas da Marisa caíram 12,2% no trimestre, e 4,3% no
semestre.
Exceção
A exceção do trimestre passado foi a C&A, que
fez uma coleção de inverno mais versátil e, mesmo com a demanda mais fraca,
conseguiu vender as peças sem grandes descontos. Seus preços, aliás, pareciam
estar mais alinhados ao bolso do consumidor. "Nossa coleção outono/inverno
claramente era mais versátil", disse o CEO da C&A, Paulo Correa.
A varejista teve lucro líquido de R$ 4,2 milhões
no segundo trimestre de 2023, alta de 100% comparado a um ano antes. A receita
líquida somou R$ 1,6 bilhão, praticamente estável, com alta de 0,8% sobre o
mesmo período de 2022.
Diferentemente das concorrentes, a C&A
conseguiu ainda aumentar a margem bruta (lucratividade por peça vendida) do
vestuário em 0,5 ponto porcentual. Na margem bruta total, o avanço foi de 2,2
pontos porcentuais, para 53,5%.
Para os analistas Pedro Soares e Felipe Reboredo,
do Citi, os resultados da C&A vieram mais fortes do que o esperado. Segundo
eles, o trimestre passado mostrou uma melhora positiva e consistente das vendas
de vestuário da varejista, especialmente na margem bruta, em um ambiente em que
quase todas as empresas do setor registraram um alto nível promocional.

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